Sócio e executivo não se misturam

wpid-1511413221_af1fe56b5e-1-2010-09-29-12-582.jpgComo se forma o quadro societário e de executivos de uma pequena empresa ou startup?

Muitas vezes, a startup é pensada por um grupo de amigos, que resolvem montar o negócio juntos. Todos viram sócios e dividem as tarefas executivas entre si.

Um pouco mais para frente, empresas pequenas se deparam com a falta de dinheiro para contratar executivos, junto com uma crescente necessidade por profissionais mais experientes. Impasse que pode ser resolvido com executivos que topam se tornar sócios, trocando parte do que deveria ser uma remuneração “de mercado”, alta para o caixa da empresa, por quotas da sociedade.

Outras vezes, duas os mais empresas se fundem e os sócios de uma e das outras, passam a ser sócios entre si, mantendo-se como executivos da organização maior.

No fim, empresas pequenas e startups acabam por ter alguns sócios que são também executivos, que trabalham na operação do negócio.

Até aí, tudo bem, desde que essas pessoas saibam separar o papel do sócio do papel do executivo, pois, o poder do sócio, do ponto de vista da governança da empresa, é diferente do poder do executivo, a alçada de atuação do sócio é diferente da alçada de atuação do executivo.

Para exemplificar o efeito danoso da mistura de papéis, pense em como os funcionários, não sócios, reagem quando percebem que um executivo-sócio impõe sua condição de sócio quando entra em conflito com alguém? Isto prejudica a confiança que os funcionários depositam na empresa, no profissionalismo da gestão e no futuro do negócio, corroendo o valioso comprometimento que deve ser cultivado na equipe.

Para separar os dois papéis crie processos e fóruns que identifiquem, claramente, quem está atuando em cada momento: “Você está falando como sócio ou como executivo?” Algo como se cada sócio-executivo tivesse dois bonés, um de sócio, outro de executivo e, naturalmente, somente um boné pode ser usado por vez. Em alguns momentos o boné de sócio não pode ser usado, em outros, como numa reunião do conselho de sócios, o boné de executivo não entra.

Alexandre Ribenboim.

PS.: Este assunto fica ainda mais interessante quando lembramos que um executivo pode ser demitido, se não estiver agregando valor para a empresa, ou se ela não puder continuar mantendo a sua remuneração, portanto, a parte “executiva” de um sócio-executivo pode também ser demitida.