Pressa agrega valor?

pressaSe for mais veloz que a luz / Então escapo da tristeza / Deixo toda a dor pra trás“, Busca Vida de Os Paralamas do Sucesso

Há mercados – muitos, na realidade – onde, aparentemente, a velocidade é fator determinante para o sucesso. Pequenas e médias empresas e startups caem neste “canto da sereia”, injetando altas doses de estresse nas suas equipes, para, só então, se sentirem participando do jogo.

Corre-se muito para estar em todos os lugares, para chegar antes da concorrência, para dominar o mercado, ou, pelo menos, garantir sua maior fatia, para ser o primeiro em uma nova tecnologia, em um novo segmento.

Tive algumas experiências assim, mas, em nenhuma delas, ficou claro que essa pressa toda agregou valor ao negócio.

Ao contrário, com pressa saímos desembestados fazendo as coisas sem planejamento, sem uma avaliação mais detalhada de onde estamos nos metendo, se as ações apressadas apontam para o objetivo estratégico da empresa, ou se não contribuem com a visão de longo prazo… A pressa nos faz contratar mal, treinar mal, medir mal (ou, simplesmente, não medir) e, portanto, gerenciar mal.

Desgaste.

Não estou aqui pregando que devemos fazer tudo lentamente, o curto prazo deve continuar sendo tocado com pressa, as contas do fim do mês, e tal, não podem esperar. Mas, acho que uma empresa, assim como a nossa vida, é algo para o longo prazo. Estamos aqui para o longo prazo, não? O prazo de uma vida bem vivida.

Uma empresa bem gerenciada, formal com suas obrigações tributárias, com processos e planejamento, com governança corporativa, com um corpo de funcionários felizes e integrados, com uma visão de futuro, uma história para contar e clientes satisfeitos, é isto que devemos construir. Este é o legado que devemos deixar, de tal forma que, inclusive, sobreviva a nós mesmos.

Faça tudo o que você tem que fazer, mas questione essa pressa toda.

Alexandre Ribenboim.