O futuro do seu trabalho está na rede

wpid-o_futuro_do_trabalho-2010-08-18-11-303.jpegUm corpo em movimento, mantém-se em movimento. Um corpo parado fica obsoleto.“, Sally Hogshead.

Você trabalha com conhecimento e informação? Então, este artigo lhe diz respeito, pois no futuro próximo o seu trabalho mudará profundamente. Siga a leitura…

Pouco a pouco, o modelo usado há dezenas de anos para empregar trabalhadores do conhecimento vai deixando de ser a única opção de organização do trabalho: confinar trabalhadores em cubículos, separados por departamentos, controlar jornadas de trabalho através de máquinas ou formulários de ponto e remunerar com salários fixos no fim do mês, não desaparecerá, mas outra opção ganhará terreno.

Não estou me referindo ao homeoffice, que apenas rompe as barreiras físicas da empresa, colocando o trabalhador em casa, mas mantendo a mesma estrutura hierárquica de sempre, só que com mais reuniões por telefone. O que se aproxima no horizonte é uma opção de relação de trabalho que remunera pela produtividade e não pelo tempo e presença física do trabalhador.

Este novo modelo usufrui ao máximo da rede e é identificado por uma grande mobilidade na estrutura montada para a execução das coisas, o que vamos chamar de projetos.

Estruturas são montadas para executar um projeto e desmontadas logo após o fim do projeto. Novas montagens acontecem com outras pessoas e, assim, sucessivamente. Estruturas são criadas sob medida, com as competências que conferem qualidade ao projeto, e não por que, segundo o organograma, a responsabilidade é da área tal, do departamento tal ou do gerente tal.

Essas estruturas rompem a barreira do crachá, compreendendo não apenas as pessoas que fazem “parte” da organização, mas também aquelas que estão fora dela, inclusive a um oceano de distância, em outro fuso horário, falando outra língua, sempre na direção da competência, da produtividade ou, porque não assumir logo, do menor custo.

As ferramentas para tornar tudo isto viável já estão por aí. Desde o mais prosaico IM (instant messenger) até os mais sofisticados sistemas de gestão de trabalho colaborativo, que integram essas equipes com todos os modernos recursos inventados e aprimorados na experiência global das redes sociais.

A nova geração de trabalhadores do conhecimento – consultores, publicitários, designers, redatores, programadores, assistentes pessoais, advogados, tradutores, pesquisadores, músicos, atendentes de call center, gestores de projetos, etc. – já está vindo com o DNA das redes sociais no sangue. Essa turma não vai precisar de treinamento para trabalhar em equipes com gente que nunca se viu na vida.

Um bom exemplo deste novo arranjo de trabalho pode ser encontrado no serviço oDesk. O oDesk é um balcão de venda de serviços remotos que oferece mão de obra qualificada (da Índia, da Rússia, não importa de onde) mas com garantia de entrega. O serviço serve tanto para expor quem quer contratar um serviço, quanto para quem quer vender seu trabalho. Já há mais de 90 tipos de serviços à disposição.

Vamos analisar um caso simples? Um cliente meu precisava contratar um serviço de informática para a conversão de um arquivo de um formato em outro e consultou uma empresa brasileira de desenvolvimento de software que apresentou um orçamento de R$ 1.500 e 10 dias de trabalho para resolver o caso. Não satisfeitos, eles recorreram ao oDesk e montaram uma pequena concorrência. Como resposta, receberam 6 propostas, uma delas de um brasileiro. Os orçamentos das propostas variavam entre USD 50 e USD 180. Ganhou um programador da Tunísia, que comprovou ser um especialista no assunto e desenvolveu a solução em 6 horas por um custo de USD 80, mais USD 10 para pagar o serviço da oDesk.

A facilidade e o custo da solução (USD 13,3 por hora) que este cliente encontrou na rede é de assustar. Prepare-se!

Para o profissional, isto tudo significa ser mais empreendedor que trabalhador e tomar para si as rédeas do seu futuro. Significa “jogar nas 11 posições”, ou seja, criar e afinar seu “produto” e discurso de venda, marquetear-se como especialista, cuidar da sua reputação na rede, se fazer lembrar, prospectar, participar de concorrências, preparar propostas, negociar, vender, desenvolver e entregar, prestar serviços de suporte, cobrar, administrar financeiramente a sua empresa individual, pensar na sua aposentadoria e pagar seu plano e seguro de saúde. Ufa.

Para a empresa significa ter coragem, ter peito para fazer a mudança do modelo tradicional do organograma por departamento, para um arranjo em rede que busque competência, produtividade, eventualmente menor preço e, possivelmente, seja mais criativo e inovador do que aquele funcionário, parado logo ali, pode oferecer.

Coragem!

Alexandre Ribenboim.