O estado das ferramentas cloud/SAAS, 3 anos depois

Quase 3 anos depois que elaborei o meu primeiro inventário de ferramentas em nuvem (cloud/SAAS), resolvi revisitar as ferramentas que lá estão e atualizar a lista, incluindo novos serviços que surgiram nos últimos anos.

Foi um exercício interessante, pois este intervalo, não curto, no relógio da internet, entre as duas pesquisas, me permitiu notar algumas características interessantes que enumero a seguir:

14 dias – Quando fiz a primeira pesquisa, a maior parte das ferramentas de software as a service utilizavam o modelo freemium. Neste modelo, você pode usar a ferramenta indefinidamente de graça, caso o seu perfil de uso não alcance um dado limite, um teto de uso. Pois agora, a maior parte das novas ferramentas que estudei não estão dando mais essa moleza, nem mesmo para o usuário mais básico.

O que as ferramentas estão fazendo para ajudar o cliente a tomar a sua decisão de compra é oferecer um test drive de 14 a 30 dias, e só.

Ainda assim, digo, mesmo pagando, SAAS continua sendo a opção mais barata para as start-ups, pequenas e médias empresas gerirem os seus negócios contando com software de ponta.

Design – Há três anos já ficava evidente o quanto as ferramentas cloud estavam investindo em design para melhorar a experiência dos seus usuários, hoje sinto que esta tendência se consolidou. Quando falo de design, não me refiro somente a páginas bonitas. O design a que me refiro tem relação profunda com a funcionalidade da ferramenta, com o que ela oferece ao usuário, quão aderente a ferramenta se encontra nos processos, quão simples ela se mostra para os usuários mais leigos e quão mais flexível ela se torna para os usuários mais avançados.

Soluções de software as a service pressupõem mercados globais, venda e atendimento eletrônico, ou seja, sem a intervenção, ao vivo, de um vendedor ou representante para apresentar funções, tirar dúvidas e assinar contratos, portanto, idealmente, devem funcionar sem manuais – de onde concluímos que o design é tudo, nesta hora.

Observe em volta, estamos vivendo uma época em que todas as coisas estão sendo redesenhadas, tomando-se o consumidor como centro – os objetos e serviços do mundo estão ficando mais bonitos, mais práticos e fáceis de usar.

Mortandade – Diversas ferramentas desapareceram nestes últimos anos – a lista cresceu bastante, mas também perdeu muitos serviços.

Para poder sobreviver, as ferramentas de software as a service precisam acertar o seu modelo de vendas, de preferência logo na primeira vez que surgem no mercado. Além disto, precisam atrair usuários pagantes em número suficiente para, no mínimo, pagarem seus custos fixos.

Tal qual em outros mercados, algumas empresas ficam no caminho. A boa notícia é que muitas dessas empresa apenas foram absorvidas por outras e trocaram de nome ou, agora, fazem parte de um cardápio mais extenso de soluções em nuvem de um fornecedor maior.

Brasil – Da primeira versão do inventário, em março de 2010, para agora, surgiram diversas ferramentas feitas por brasileiros, para brasileiros e, em alguns casos, para o mercado global também, o que demonstra que este é um segmento interessante para novas start-ups daqui.

Alexandre Ribenboim.