Fernão de Magalhães (4) – política

Théodore Géricault - A balsa da Medusa

Théodore Géricault - A balsa da Medusa

Munido dos poderes absolutos concedidos pelo Rei Carlos V da Espanha (ver este post), Magalhães partiu para a primeira expedição de circunavegação da Terra embarcado em 5 navios, com um total de 234 tripulantes, onde, somente 12 eram portugueses e o restante, quase todos, espanhóis. Dos 5 navios, somente dois eram capitaneados por portugueses, os outros 3 tinham espanhóis no comando.

Magalhães tinha razões para desconfiar dos capitães espanhóis. Ainda em terra, recebeu diversos avisos de possíveis traições em alto mar. Como consequência desta desconfiança, Magalhães conduziu a expedição com mãos-de-ferro. Sua comunicação com os demais capitães era meramente protocolar. Magalhães não pedia opiniões, não dividia suas dúvidas, nem mesmo informava qual seria o próximo passo.

Imagine você uma frota composta por 5 navios, 3 liderados por capitães espanhóis experientes, de alta patente, conduzidos para o fim do mundo (na época, literalmente) por um português desconhecido, numa expedição que partiu para ficar 2 anos no mar, sem nem mesmo a informação de qual o destino e por onde iriam navegar. Parece perigoso, não? Acrescente-se a isto que o risco de vida, nas navegações em alto mar no princípio do século XVI, era enorme.

Magalhães não usou de política alguma com seus subordinados. Se agarrou ao contrato com o Rei – à governança – para seguir seu rumo. Absoluto, despótico.

Alexandre Ribenboim.