Fernão de Magalhães (3) – símbolos de poder

fernao-3Voltando a Fernão de Magalhães (neste post e neste aqui), após a venda da ideia da circunavegação da Terra para o Rei Carlos V da Espanha (o investidor), Magalhães se dedicou ao planejamento detalhado do empreendimento. Como curiosidade, chegou até nós, por exemplo, uma lista completa dos gastos que foram realizados no empreendimento: desde a compra da frota de navios, até os espelhos que eram usados como moeda de troca com os índios (veja em: “Fernão de Magalhães, O homem e a sua façanha”, Stefan Zweig, Editora Record).

Para que o projeto conseguisse o apoio das instituições do reino espanhol era necessário colocar por escrito o aval do Rei. Um contrato, um convênio, assinado pelo Rei, em 22 de março de 1518, apresentava as garantias e recompensas que Magalhães podia esperar da coroa espanhola, durante e após a realização do projeto e, ainda, deixava claro, para todos os espanhóis, o apoio incondicional do Rei: “en todo e por todo, para agora e para siempre“.

Este contrato serviu de base para a romper as resistências antes da partida e para elaborar as regras de comando durante expedição. No mar, longe do poder direto e supremo do Rei (num tempo sem telecomunicações, para estendê-lo a qualquer lugar do globo), o poder absoluto, sob os homens e seus destinos, passou para as mãos de Magalhães.

As leis do país, onde opera uma empresa, junto com o acordo de acionistas, ou contrato social, firmado entre os sócios, formam as regras que descrevem os poderes, direitos e deveres dos responsáveis pela empresa e seus investidores e são fundamentais para se criar as bases de comando, a governança, de uma organização, para viabilizá-la, para evitar o caos.

Alexandre Ribenboim.

PS: leia aqui, o contrato, assinado pelo Rei da Espanha, que garantiu a Magalhães os poderes para a realização do seu feito.